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domingo, 8 de novembro de 2009

Barra Bonita







Quem diria, tão perto de São Paulo... A segunda maior barragem fluvial, depois do Canal do Panamá:



terça-feira, 25 de agosto de 2009

Procurando Ladislaw Wypych




No final dos anos 20, o polonês Ladislaw Wypych estava diante de uma difícil decisão. Seu país sofria os rigores da Grande Depressão num grau ainda maior do que o resto do mundo, já que a independência da Polônia era recente e a economia ainda estava longe de ser minimamente estável quando a crise estourou. O desemprego era tão epidêmico que havia programas oficiais estimulando a emigração; somente assim, dizia-se, iria haver empregos para os que ficassem. E os que emigrassem poderiam ser bem sucedidos em outros países, ajudando a Polônia com o envio de recursos e, quem sabe um dia, voltando em definitivo, talvez ricos até.

Sem nenhuma perspectiva em seu próprio país, Ladislaw ponderou bastante e, como tantos outros europeus na primeira metade do Século XX, decidiu emigrar – uma terrível decisão que implicava em abandonar, de uma só vez, tudo que conhecia e amava, incluindo família e amigos, incluindo até a própria língua. Ladislaw veio para o Brasil, sem falar uma palavra de português e carregando pouco mais do que as próprias roupas.

Talvez ele tenha pensado em trabalhar, como primeira opção, na polícia ou como segurança. Veterano da Guerra Polaco-Soviética, tinha muita experiência no assunto – e tinha, também, várias cicatrizes no peito para provar. A única explicação para que ele continuasse vivo é que a metralhadora que o atingira devia estar além do limite de alcance útil, porque era impossível que alguém com tantos “furos” no peito pudesse ter sobrevivido. Mas as balas (ou estilhaços, ninguém sabe ao certo) haviam penetrado, as cicatrizes estavam ali para provar e ainda assim ele tinha sobrevivido. Aliás, essas balas alemãs que o perfuraram possivelmente tiveram, para ele, uma dor adicional à de seus compatriotas, já que seu pai era polonês, mas sua mãe era alemã.

De qualquer maneira, esse polonês corajoso veio para o Brasil e, aqui, como é tão comum nesse incrível caldeirão planetário chamado São Paulo, se apaixonou por uma italiana – uma baixinha briguenta que soltava impropérios no incompreensível dialeto da Calábria toda vez que se irritava com ele (o que, dizem, ocorria com bastante freqüência).

Os dois se casaram, tiveram uma filha e, conforme a década de 30 ia se aproximando do fim, a recessão mundial parecia definitivamente vencida; o mundo progredia, a economia do Brasil também e era difícil imaginar que algo pudesse ameaçar a família que Ladislaw criara tão longe de sua terra natal.

Porém, em 1º de setembro de 1939, tropas nazistas invadem a Polônia, dando início à Segunda Guerra Mundial. Poucos dias mais tarde, os soviéticos covardemente atacam pelo leste, obrigando o desestruturado exército polonês (montado às pressas depois da independência) a ter de enfrentar, ao mesmo tempo, as duas maiores potências militares da época.

Ladislaw se desespera. Os velhos inimigos – alemães e russos – estão, mais uma vez, tentando jogar a Polônia de volta à escravidão, da qual ela saíra tão recentemente e a custa de tantos sacrifícios. Esses velhos inimigos, porém, estão mais perigosos do que nunca: agora compartilham credos doentios de fanatismo coletivista (o nacional-socialismo e o socialismo bolchevique, tão diferentes nos detalhes e tão idênticos na essência).

Era de conhecimento geral que a resistência do exército polonês não faria mais do que adiar o avanço dos nazistas e comunistas. Essa resistência, que reconhecidamente foi além de todos os limites do heroísmo, deteve os invasores por mais tempo e a um custo muito maior do que qualquer um poderia sonhar – mas o fato é que era uma guerra perdida antes mesmo de começar. As poucas armas dos poloneses eram sobras da Primeira Guerra; enquanto que os nazistas, além de uma superioridade numérica esmagadora, tinham armas, táticas e equipamentos que estavam décadas à frente de todo o resto do mundo. Já os soviéticos dispunham, só na chamada “frente polonesa”, de um exército pouco menor do que toda a população da Polônia.

Com família, nacionalidade e patrimônio brasileiros, com uma vida toda estruturada no Brasil, não faria o menor sentido pretender voltar à Polônia – algo que, aliás, nunca lhe fora pedido por ninguém; além disso, àquela altura a guerra já estava perdida. Ninguém jamais saberá quão difícil foi a escolha de qual caminho seguir, mas o fato é que o velho soldado decide abandonar tudo, inclusive a filha de dois anos, e volta à Europa para proteger os que haviam ficado.

Algumas semanas depois, sua desesperada esposa recebe uma carta; nela, há uma foto de Ladislaw, vestido (“fantasiado”, diria ela mais tarde) de cozinheiro. “Não se preocupe”, dizia ele, “minha atividade aqui é de cozinheiro, e por isso fico longe da linha de fogo”. Ela não precisava lembrar das cicatrizes de bala para saber qual exatamente era o tipo de atividade que ele teria no front; o fato de que ele nunca soubera nem fritar um ovo era suficiente. Além, é claro, de que várias outras esposas de soldados, vizinhas dela no Cambuci, também haviam recebido fotos quase idênticas, com os respectivos maridos com as mesmas roupas, na mesma posição ridícula (ao lado de uma panela enorme, e com uma colher de pau empinada) e com a mesmíssima explicação sobre a segurança proporcionada pelo encargo de “chef”. “Mentiroso maledeto!”, teria dito ela, acompanhada pelas demais.

Essa foi a penúltima notícia que ela teve do marido. A última foi uma carta recebida meses depois, escrita em polonês, informando que ele tinha morrido em combate; ela, claro, sabia do conteúdo antes mesmo que uma das vizinhas viesse traduzir. Ladislaw Wypych tinha morrido no campo de batalha, lutando contra os invasores nazistas.

Em maio de 2009, visitei a Polônia; um dos objetivos da viagem era tentar descobrir qualquer informação adicional sobre as circunstâncias da morte de Ladislaw Wypych, meu avô. Sua filha de dois anos era minha mãe. Não tive sucesso na empreitada, mas vou continuar tentando. Aliás, é um ótimo motivo para retornar a esse país maravilhoso, e cada vez mais belo e desenvolvido em que a Polônia, finalmente livre de nazistas e comunistas, está se tornando.

domingo, 26 de julho de 2009

Dica em Veneza







Vai para a Europa? Tente conhecer Veneza, que realmente é única no mundo. E, se for, uma boa dica é ficar no Hotel Rialto, bem ao lado da ponte do mesmo nome (uma das três principais). Com decoração de castelo renascentista, café da manhã e serviços caprichados, preço camarada comparado à média da cidade (tudo em Veneza é muito caro), tudo no hotel agrada. Mas o melhor de tudo é a vista... Essas fotos foram tiradas de dentro do quarto! Como se pode ver, o Rialto fica bem de frente para o Grande Canal, que é a principal "rua" de Veneza. Não é difícil entender porque um embaixador francês o chamou de "a rua mais bonita do mundo", em 1495.



Mesmo comparada a qualquer cidade da Europa, Veneza é realmente única... É difícil competir com uma cidade em que as ruas são feitas de mar...

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Viagem!





























Floripa e Outras Histórias


Publicado por Braghittoni Ives em 02 Fev 2009 sob: Carros, Viagens (editar)

Esse texto é de 2005 e conta como foi o encontro nacional do Clube Calibra daquele ano. Ok, é antigo, mas acho que explica algumas coisas a respeito de… Bom, de outras coisas.E você, também tem uma história de viagem que evoca recordações??… Conte pra mim nos comentários.

Floripa e Outras Histórias

— Esportivo de verdade tem de ser vermelho.
— Eu prefiro preto…
— Vermelho sempre chama mais atenção.
— É, mas preto é mais sóbrio…
— Bom, então vamos combinar: um dia, nós voltaremos aqui pra Floripa… Você com um esportivo preto, eu com o meu futuro carro vermelhão!…
— Tá combinado e eu vou cobrar!!

Depois daquela conversa, ainda levaria muito tempo para eu tirar a carta de motorista, mais ainda para comprar meu primeiro carro e muito, mas MUITO mais tempo para conseguir o esportivo que eu queria. Preto, claro.

Não vou no comboio, acordar às 4:00 está fora de questão. Eu acordaria se não tivesse ido dormir tão tarde na sexta – mas deixar de ir ao aniversário de um grande amigo está completamente fora de questão. Às 22:00h, vejo as fotos da lua de mel de que ele acabou de voltar. Parece que foi ontem que apresentei a ele a menina que hoje é sua esposa… Às 7:30 do dia seguinte o motor já está aquecido, ronronando, pedindo atividade. A marginal está livre, antes das oito meu fiel companheiro está em seu habitat natural, a estrada.

Chega de vielas minúsculas, o lugar dele é na estrada! O fato é comemorado transformando o ronco leve num urro sensacional, o corpo sendo empurrado contra o banco, a liberdade crescendo com as rotações. Seu viado, você precisava ver isso.Gott Segnet Calibra. Enquanto lembro dos amigos antigos, peço que abençôe também aos novos – que ninguém exagere no pé direito, que cheguem todos bem, que aproveitem a viagem. Gott Segnet Calibra, e aos donos também! Seu viado, você tinha que conhecer esses caras.

O projeto de som ficou ótimo – forte, definido, está perfeito mesmo para um chato metido a audiófilo como eu. Sem a ajuda dos camaradas, nunca teria ficado tão bom, e com certeza sairia muito mais caro. Aliás, como a própria reforma do carro todo… Faço questão de tocar a seleção que fiz de músicas dos anos 80… As mesmas músicas da primeira vez em Floripa.

Mas às vezes é bom desligar o som, curtir só a sinfonia que o engenho humano criou… O motor, o vento, toda aquela cavalaria ali disponível, mas com um controle tão dócil e tão seguro… O som puro de uma máquina tão perfeita, com forma e função tão bem somadas…

Abro o teto solar, recebo o vento; contorno as curvas, sinto o carro pedir mais velocidade, contenho a mim e a ele com um sorriso… A viagem é pra ser apreciada, não pra se transformar numa briga contra o relógio… Mas isso inclui, claro, eventuais “esticadas” prazenteiras…
A melhor aerodinâmica de todos os tempos, o único campeão mundial de DTM, eleito o carro mais bonito do mundo em… Qual ano mesmo? Tanto faz, pra mim ele sempre teve esse título. O que realmente falta aqui é um igual, vermelho, aqui do lado… Do lado o cacete – atrás, é claro!
Ou talvez fosse um Eclipse vermelho, ou um Audi, só pra me contrariar… Bom, aí sim é que iria ficar pra trás mesmo. Seu viado!

Na altura de Curitiba encontro o comboio que veio de Santos – e o vôo solitário se torna um show acrobático de uma esquadrilha de oito integrantes, dominando a estrada até Floripa. A vista da Ponte é sempre emocionante… “Ei, onde fica o hotel? Alguém conhece a cidade?” Eu conheço bem Floripa, deixa que eu vou na frente!!

Amigos que vejo sempre, amigos que só vi no ano passado, tão longe que estavam – mas agora estão todos aqui, sorrindo e mostrando os carros tão bem cuidados (e quanto nos ajudamos mutuamente nisso!) quanto um filho. No fundo, são quase isso mesmo. Somos todos tios dos carros uns dos outros.

Nunca acreditei em destino, mas algumas coisas são mesmo engraçadas – como essas coincidências tão impossíveis que exigem foto, senão ninguém acredita. E é assim que encontro, na entrada do hotel, um amigo de infância, e é bom tirar a foto logo depois do abraço, senão ninguém acredita. Há meses não nos falávamos pessoalmente, e vamos nos achar tão longe de casa… Floripa é mesmo incrível. Cara, você tinha que ver isso.

Gott Segnet Calibra. Com todos juntos, no dia seguinte, a esquadrilha se torna um esquadrão de quase quarenta carros. É um assombro de se ver… E mais ainda de participar. E pensar que o grande problema das primeiras viagens era o enorme tempo perdido em ônibus pra ir de um lugar ao outro… Floripa sem carro é uma dureza, é verdade. Quanta diferença agora!

À noite revejo meu amigo – não importa há quanto tempo não nos víamos, é como se fosse ontem. Faz dez minutos que entramos no restaurante do hotel. Faz dez minutos que, dez anos atrás, conto a ele que estou insatisfeito no novo emprego, que me paga tão bem, e ele me responde “esquece salário… Como você mesmo me disse, só vai ser feliz quando tiver seu próprio escritório…” Faz dez minutos que, vinte anos atrás, exaustos, imundos e famintos, sorrimos quando olhamos para o topo do monte mais alto de São Paulo e, arrastando os outros quatro que queriam desistir, dizemos um ao outro: “vamos? Sim, vaaaaamos!!…”

Lembro que, antes da minha primeira viagem, não conseguia entender porque falavam tanto de Floripa, e alguém me respondeu que “entre outras coisas, lá até as caixas do supermercado parecem top-models”. No jantar da noite seguinte, é melhor tirar uma foto da garçonete da pizzaria, ou ninguém vai acreditar o quão incrivelmente bonita ela é. Cara, você tá perdendo mesmo…

Ainda há várias visitas por fazer – além das memórias, tantas viagens a Floripa criaram boas amizades. A visita daquele dia é especial, e quando me mostra seu segundo filho (esse eu ainda não conhecia!!), ela parece, aos meus olhos cansados, ainda mais bonita do que quando era a rainha da Joaquina (a Praia Mole naqueles tempos não estava na moda). Lembro como se tivesse sido há dez minutos aquela primeira viagem e eu, completamente perdido ali, e de ela me dizendo “ei, paulista, pára de falar ‘Florianópolis’, diz só Floripa mesmo…” Mesmo sabendo que é três anos mais velha do que eu, ela realmente me parece ainda mais bonita agora e, quando chega a hora de ir, ouço-a dizer “de um jeito diferente, eu ainda gosto de você…”

Vou perder o comboio da volta, há uma última visita por fazer. Uma última foto da ponte, que visão fantástica! Hora de colocar de novo o carro na estrada, e de novo encurtar tanto aquela distância que antes era tão maior… Demorou, mas aqui estou eu. Eu e meu esportivo preto, em Floripa. Espero que você esteja vendo isso!…

Onde quer que você esteja, deve ser um lugar muito parecido com Floripa…