sábado, 25 de dezembro de 2010

Férias e Diplomacia

A maioria entra agora em férias; este escriba, porém, inicia missão diplomática para fortalecer as relações entre Brasil e Rússia.
Feliz Natal e até 2011!! :-)

sábado, 11 de dezembro de 2010

A farsa da classificação “direita e esquerda”


Socialistas são “de esquerda”? Os liberais são “de direita”? Comunismo é “extrema-esquerda” e nazi-facismo é “extrema-direita”? O “centro” seria então uma mistura dos dois extremos? Qual a “régua” que mede exatamente onde fica cada coisa nessa pretensa divisão bidimensional? Hum, que confusão... Na verdade, essas supostas classificações são a manifestação de uma mal disfarçada ideologia anti-liberal – e, acima de tudo, são completamente falsas. Vou provar.

A origem desses termos bidimensionais é histórica. Na época da monarquia francesa havia o instituto dos “Estados Gerais”, uma assembléia que reunia os representantes da nobreza (“primeiro Estado”) da igreja católica (“segundo Estado”) e do povo (“terceiro Estado”, composto por girondinos e jacobinos). Criou-se o costume (sabe-se lá por que) de os dois primeiros se sentarem à direita do presidente da assembléia, e os representantes do povo se sentarem à esquerda (aliás, eram exatamente estes que se opunham ao estado totalitário e absolutista, veja que curioso...). Nobreza e igreja, claro, sempre votavam a favor da monarquia e da manutenção de seu poder absoluto; e, com isso, o povo sempre perdia por 2 a 1 – o que, como se sabe, foi um dos fatores que culminaram com a Revolução Francesa em 1789.

A partir daí, consolidou-se a “nomenclatura” de que “direita” significa elitista, ou monarquista, ou “anti-povo”, ou essencialmente conservador – alguém que quer manter as coisas como estão. Nessa mesma nomenclatura, “esquerda” passou a significar republicano, ou pró-povo, ou simplesmente revolucionário – alguém que quer mudar radicalmente o modo como as coisas estão.

Curiosamente, logo depois da revolução, os girondinos, por serem mais moderados, passaram a ser chamados de “direita”; os jacobinos, mais radicais, se tornaram a “esquerda”.

A simples descrição da raiz histórica dessa divisão já mostra quão pouca relação ela tem com o espectro político moderno. Mas vamos em frente!

Conforme já expliquei em outro texto, o nacional-socialismo e seu irmão gêmeo, o fascismo, são simplesmente tipos de socialismo. Essa é a essência e a gênese de ambos, e não a de “opostos” do socialismo. Com o fim da Segunda Guerra Mundial, essa verdade óbvia era extremamente incômoda para os países socialistas. Seus líderes precisavam vender a idéia de que o inimigo não era um igual, mas um “oposto” do que eles próprios representavam.

Lênin já havia inventado o esquema "esquerda é socialismo" e "direita é capitalismo". Stalin não teve muita dificuldade em inventar uma “atualização” conveniente: o socialismo seria extrema-esquerda; as “democracias burguesas”, liberais ou social-democratas seriam centro e o nazi-facismo seria extrema-direita.

Só pelos autores já seria possível ver quão pouco crédito a idéia merece; mas é no histórico que essa fraude se mostra por inteiro. A criação, como se vê, é essencialmente ideológica: Stalin quis se identificar com “pró-povo” e com “anti-nazista”; ao mesmo tempo, impinge na sua classificação a idéia de que seus adversários são “contra o povo” e “com um pé no fascismo”. A realidade e os fatos históricos comprovam, porém, exatamente o contrário.

Não é de admirar as bobagens colossais que daí são geradas por essa classificação viciada. Veja um exemplo: o governo Fernando Collor, que fez o mais absurdo e inacreditável ataque do Estado à propriedade dos cidadãos, bloqueando os depósitos em banco, é comumente chamado “de direita”... Ou então, a ditadura militar brasileira, também chamada "de  direita", em que no auge do período Geisel tinha quase 80% da economia estatizada...Vá entender!

Não caia nessa. Chame as coisas pelo que elas são, não pelo esquema falso que Stalin inventou (liberais de "liberais", conservadores de "conservadores", social-democratas de... ok, você entendeu). Nem ele acreditava nessa “régua” que pretende classificar as complicadas divisões políticas num mundinho bidimensional de direita/esquerda.

No mundo real, essa divisão tola só confunde, ao invés de esclarecer.