sábado, 25 de dezembro de 2010

Férias e Diplomacia

A maioria entra agora em férias; este escriba, porém, inicia missão diplomática para fortalecer as relações entre Brasil e Rússia.
Feliz Natal e até 2011!! :-)

sábado, 11 de dezembro de 2010

A farsa da classificação “direita e esquerda”


Socialistas são “de esquerda”? Os liberais são “de direita”? Comunismo é “extrema-esquerda” e nazi-facismo é “extrema-direita”? O “centro” seria então uma mistura dos dois extremos? Qual a “régua” que mede exatamente onde fica cada coisa nessa pretensa divisão bidimensional? Hum, que confusão... Na verdade, essas supostas classificações são a manifestação de uma mal disfarçada ideologia anti-liberal – e, acima de tudo, são completamente falsas. Vou provar.

A origem desses termos bidimensionais é histórica. Na época da monarquia francesa havia o instituto dos “Estados Gerais”, uma assembléia que reunia os representantes da nobreza (“primeiro Estado”) da igreja católica (“segundo Estado”) e do povo (“terceiro Estado”, composto por girondinos e jacobinos). Criou-se o costume (sabe-se lá por que) de os dois primeiros se sentarem à direita do presidente da assembléia, e os representantes do povo se sentarem à esquerda (aliás, eram exatamente estes que se opunham ao estado totalitário e absolutista, veja que curioso...). Nobreza e igreja, claro, sempre votavam a favor da monarquia e da manutenção de seu poder absoluto; e, com isso, o povo sempre perdia por 2 a 1 – o que, como se sabe, foi um dos fatores que culminaram com a Revolução Francesa em 1789.

A partir daí, consolidou-se a “nomenclatura” de que “direita” significa elitista, ou monarquista, ou “anti-povo”, ou essencialmente conservador – alguém que quer manter as coisas como estão. Nessa mesma nomenclatura, “esquerda” passou a significar republicano, ou pró-povo, ou simplesmente revolucionário – alguém que quer mudar radicalmente o modo como as coisas estão.

Curiosamente, logo depois da revolução, os girondinos, por serem mais moderados, passaram a ser chamados de “direita”; os jacobinos, mais radicais, se tornaram a “esquerda”.

A simples descrição da raiz histórica dessa divisão já mostra quão pouca relação ela tem com o espectro político moderno. Mas vamos em frente!

Conforme já expliquei em outro texto, o nacional-socialismo e seu irmão gêmeo, o fascismo, são simplesmente tipos de socialismo. Essa é a essência e a gênese de ambos, e não a de “opostos” do socialismo. Com o fim da Segunda Guerra Mundial, essa verdade óbvia era extremamente incômoda para os países socialistas. Seus líderes precisavam vender a idéia de que o inimigo não era um igual, mas um “oposto” do que eles próprios representavam.

Lênin já havia inventado o esquema "esquerda é socialismo" e "direita é capitalismo". Stalin não teve muita dificuldade em inventar uma “atualização” conveniente: o socialismo seria extrema-esquerda; as “democracias burguesas”, liberais ou social-democratas seriam centro e o nazi-facismo seria extrema-direita.

Só pelos autores já seria possível ver quão pouco crédito a idéia merece; mas é no histórico que essa fraude se mostra por inteiro. A criação, como se vê, é essencialmente ideológica: Stalin quis se identificar com “pró-povo” e com “anti-nazista”; ao mesmo tempo, impinge na sua classificação a idéia de que seus adversários são “contra o povo” e “com um pé no fascismo”. A realidade e os fatos históricos comprovam, porém, exatamente o contrário.

Não é de admirar as bobagens colossais que daí são geradas por essa classificação viciada. Veja um exemplo: o governo Fernando Collor, que fez o mais absurdo e inacreditável ataque do Estado à propriedade dos cidadãos, bloqueando os depósitos em banco, é comumente chamado “de direita”... Ou então, a ditadura militar brasileira, também chamada "de  direita", em que no auge do período Geisel tinha quase 80% da economia estatizada...Vá entender!

Não caia nessa. Chame as coisas pelo que elas são, não pelo esquema falso que Stalin inventou (liberais de "liberais", conservadores de "conservadores", social-democratas de... ok, você entendeu). Nem ele acreditava nessa “régua” que pretende classificar as complicadas divisões políticas num mundinho bidimensional de direita/esquerda.

No mundo real, essa divisão tola só confunde, ao invés de esclarecer.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Lula, seus discursos e sua candidata

Pouco antes do segundo turno, fui perguntado num desses fóruns da vida se eu achava que a provável vitória da candidata Dilma seria decorrência da habilidade verbal de Lula. Que cada voto dela era devido a ele ninguém questionava; mas qual seria o peso, nessa relação, de seus famosos discursos?

Muito pequena, a meu ver. Penso que a popularidade de Lula tem pouco a ver com sua capacidade de comunicação. O ponto essencial, e que não tem nenhuma relação com comunicação ou com “carisma”, é que houve um enorme aumento de renda nos últimos 15 anos por decorrência do fim da inflação. É isso que faz Lula ser popular e é isso que elegeu Dilma; os discursos em que ele fala palavrões ou aparece bêbado têm pouca importância para quem, pela primeira vez, consegue comprar comida suficiente para o mês inteiro. É dessas pessoas que o “imposto inflacionário” sugava tudo e são essas pessoas, incluindo as que não recebem Bolsa Família, que lhe dão são sua aprovação recorde.

Falar de incontáveis escândalos comprovados de corrupção não causa efeito nessa imensidão de remediados. Eles não sabem ou não se importam que Lula, no bom e no mau, manteve quase tudo exatamente idêntico ao que havia no governo anterior – e seu grande mérito foi fazer isso na economia, para desespero de seus colegas de partido e para sorte do país e dessa massa de ex-esfomeados. Não adianta dizer que o fim da inflação foi obra do governo anterior, que Lula e seu partido atacaram o Plano Real e votaram contra ele em todas as votações Congresso, nem que Lula (esperto como sempre) colocou como presidente do Banco Central (o “dono do cofre”) um membro histórico do PSDB (ciente que ninguém em seu próprio partido era qualificado). Isso tudo importa pouco para quem passava fome e hoje consegue comprar frango todo domingo.

Lula, como comunicador, é na verdade bastante sofrível, mesmo quando fala para o povão. Se não fosse o frango dominical, suas metáforas de futebol e seus palavrões teriam tão pouco efeito quanto suas demais bravatas tiveram nas três vezes em que foi derrotado – o povo, mesmo com pouca educação formal, não é burro como o PT costuma supor. Ninguém, nem mesmo os analfabetos do mais profundo sertão, têm dúvidas das fragilidades intelectuais e de caráter de Lula; seus discursos deixam as duas coisas bem claras. Mas, lá nos confins da caatinga, esse analfabeto e ex-faminto pragmaticamente apóia quem lhe parece responsável pela melhoria em sua vida – e ninguém pode recriminá-lo por isso.

Aliás, a própria oposição tem grande responsabilidade nesse processo de permitir que o atual governo se aposse do Real e da estabilidade econômica que tanto condenavam.

Lula, mostrando a sagacidade política que, essa sim, é seu grande trunfo, também não mudou absolutamente nada nos pontos que precisavam desesperadamente de mudança. Ele sempre soube, e sempre declarou em seus discursos como candidato, que só com o peso político de um presidente recém-eleito é que o Congresso alteraria alguma coisa nos sistemas previdenciário, tributário e político (a reforma política, em particular, era prometida por Lula “logo nos seis primeiros meses” de seu primeiro mandato). Porém, espertamente, ele ficou bem longe desses vespeiros durante 8 anos, gastando-os em viagens burlescas e colecionando gafes internacionais. Ele sabe que, se tivesse enfrentado esses problemas, os resultados de curto prazo certamente gerariam um desgaste político muito grande. Essa esperta inércia quanto aos grandes problemas é o outro segredo muito especial de sua popularidade tão alta – e o país que pague o preço no longo prazo.

Na educação, que é péssima desde sempre e que deveria ser a prioridade máxima do país inteiro, ele cuidadosa e preguiçosamente fez o que faz melhor: nada, rigorosamente nada. Tudo na estrutura educacional, da forma de financiamento à regulamentação dos currículos, da divisão de competências entre os entes estatais à alocação de recursos, tudo permanece rigorosamente intocado. De novo, no longo prazo se pagará o preço dessa popularidade viçosa.

Com a sorte de não enfrentar crises internacionais, a única que Lula viu encontrou a economia brasileira tão sólida que aqui passou como “marolinha” – e é exatamente essa a “herança maldita” que ele desbragadamente copia há 8 anos, mesmo a amaldiçoando em público.

Mas a esperteza final de Lula, a esperteza maior, foi como se perpetuar no poder. Depois de perceber que proposta de alterar a Constituição para conseguir um terceiro mandato teria um custo político alto demais, ele descobriu um caminho diferente: criou uma candidata que, sem histórico político nenhum, sem ter participado de nenhuma eleição, sem nunca ter recebido um único voto em toda a sua vida, seria em tudo e por tudo completamente dependente dele – e Lula, o político mais esperto que já se viu, encontrou um meio de continuar no poder sem precisar se eleger.

Claro, há um perigo escondido aí – e o homem do povo talvez pudesse explicar a Lula que, “como diz o dito popular”, quem tenta ser esperto demais acaba sendo engolido pela própria esperteza. Ninguém garante que a nova dona da caneta não tome gosto pela coisa e resolva libertar-se de seu patrono. Ou ainda: Lula se orgulha de nunca ter lido nenhum livro, mas os de ficção científica e os de religião talvez lhe ensinassem aquele princípio difícil de fugir de que “a criatura sempre se volta contra o criador”. Por ora, porém, isso ainda é conjectura...

Enfim, a força de Lula não está em seus discursos ébrios e mal educados. Na verdade, o que ele diz tem muito pouca importância. O que ele faz, porém, vem definindo os rumos do país inteiro, num nível mais profundo do que se vê a primeira vista. E, pelo jeito, por um prazo muito mais longo do que se poderia supor.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Heróis da Resistência


Porque as ruas estão sempre cheias de lixo? Porque as pessoas jogam lixo nelas, é óbvio – e é assustador saber que, em São Paulo, a prefeitura gasta com varrição mais de um terço de todo o gasto com educação. E, mesmo assim, as ruas continuam sempre imundas; o que também não é de surpreender, já que, enquanto as pessoas continuarem jogando lixo na rua, nem se fosse gasto o triplo do orçamento da educação elas ficariam limpas (claro: ou muda-se a cultura, ou vai ser preciso um gari para cada habitante).

E esse é só o sinal mais visível de um grau de incivilidade que, além de profundo, parece estar piorando; é o mais visível, mas está longe de ser o único. Sinceramente, não sei se eu é que estou ficando velho demais, e portanto incomodado demais, ou se as coisas realmente estão piorando. Afora a incontornável questão da idade, às vezes acho que há, sim, um assustador contágio de tudo que existe de pior no comportamento das pessoas (tenho vontade de falar sobre o “efeito espelho”, mas isso fica pra outro dia). Parece que o certo é rapidamente desaprendido, enquanto o errado é assimilado com a mesma velocidade. O que diabos está acontecendo? Isso me lembra aqueles filmes de vampiro (os de zumbi também servem) em que o sujeito mordido se torna vampiro, e em seguida também sai por aí mordendo e... Será que falta de educação é contagiosa?...

Não sei, sinceramente não sei. O que sei é que vou dedicar este texto a todos aqueles que bravamente se recusam a ingressar nessa pavorosa maré de desrespeito e anti-cidadania. São verdadeiros heróis da resistência. A eles! :-)

A todos aqueles heróis que, óbvia e primeiramente, se recusam a jogar lixo na rua – que se recusam a usar como lixeira o espaço que é de todos. Àqueles que, além de não fazerem isso, ainda conseguem se sentir indignados com quem o faz, tanto quanto com quem diz coisas como “todo mundo joga” e “os garis ganham para isso”.

A todos aqueles corajosos que se recusam a falar no elevador, incomodando o espaço coletivo com seu palavrório privado – especialmente usando o bendito telefone celular. Aos que, igualmente, vão ao cinema para assistir ao filme, não para incomodar o mundo com sua verborragia infecciosa. Aos que se negam a aderir à barbárie no trânsito e continuam respeitando suas leis (lembremos que são LEIS, não “sugestões”!) – e se recusam a fechar os outros, a parar em cima da faixa de pedestres, a entupir o mundo estacionando em local proibido. A esses bravos que se recusam a aderir ao “todo mundo faz” das ruas, mesmo assistindo os absurdos ao volante praticados pela turma do “o bom é levar vantagem”. Aos sentinelas que rejeitam as infinitas formas de “jeitinho” para resolver, com algum tipo de patifaria, o que não conseguem (ou têm preguiça de) resolver com competência. Aos que, por não terem necessidades profundas de auto-afirmação, conseguem conversar sem interromper o infeliz interlocutor a cada meio segundo.

Aos guerreiros que não aceitam tossir em cima dos outros, nem espirrar em cima dos outros, nem bocejar exibindo o esôfago para o mundo – e, em respeito à saúde e higiene alheias, praticam o enorme esforço de pôr a mão na frente da boca durante esses atos. Heróis! Aos que conseguem deixar que os outros espirrem em paz, sem dizer “saúde” ao pobre autor da esternutação. Aos valentes que não furam fila, mesmo assistindo o mundo inteiro fazendo isso. Aos que têm a fulgurante inteligência de entender que, para entrar em qualquer lugar (seja numa sala, num elevador ou num vagão de metrô) é também muito mais fácil, além de mais educado, esperar sair quem já está dentro! Vejam que idéia revolucionária!

Acima de tudo, aos heróis que rejeitam a imundice suprema de falar de boca cheia – e cuspir comida em cima dos outros e da comida dos outros (sem falar naquele barulho nojento)!!... Esse, pior do que o crack, o analfabetismo ou a corrupção, é o mal maior que atinge nossa civilização cambaleante! Aos guardiões da civilidade que não se contaminaram com essa podridão, Ave! Ave adsertor civitas, mortitani salutari!! A barbárie avança, mas a civilização ainda tem os seus soldados!

Brincadeiras à parte, sempre defendi que, nas últimas décadas, o mundo tem melhorado muito, em quase todos os aspectos. Em alguns pontos básicos de civilidade, porém, pelo que consigo enxergar do meu pouco tempo de vida (“pouco” em termos históricos; não vou desmentir no final do texto o peso dos anos que admiti no começo) parece que estamos regredindo. O que está acontecendo?

domingo, 22 de agosto de 2010

Camiseta Famosa!... :-)


Quem disse que eu não ligo pra moda? Olha o modelito da minha nova camiseta, que coisa mais fashion!...

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Menos Guerras no Mundo

Desde sempre ouvimos que “Nostradamus previra” o fim do mundo para o ano 2000. Quando 2000 chegou, disseram que tinha havido uma “falha na interpretação”, e o fim na verdade ocorreria em 2001. Ou seja, a partir de 2002 ficamos livres de ouvir esse tipo de bobagem, certo?

Não, claro que não!... Agora, os “intérpretes de Nostradamus” dizem que o fim virá em 2012 – e, pra melhorar, incluem na trambicagem profética o “fim do calendário maia”... Afirmam que “os sinais do fim dos tempos” estão claramente visíveis (!); o mundo, segundo dizem, estaria cada vez pior: mais crises, mais desastres naturais e, claro, mais guerras. Será mesmo?

Essa discussão é praticamente idêntica à ocorrida – acredite! – no longínquo ano 1000, em que "profetas” também garantiam que o mundo chegaria ao fim. Além, claro, do nosso inexplicável fascínio por “números redondos”, existe nisso um outro aspecto mais fácil de explicar: toda pessoa sempre acredita que a sua geração é a mais importante que já existiu. Afinal, é a geração em que ela vive, ora! Então, se algo glorioso e colossal deve acontecer com o mundo algum dia (inclusive seu fim), deve ser “nesta” geração!...

A verdade é que há cada vez mais gente no mundo, então é natural que haja mais gente morrendo por conta dos desastres naturais. Esse número maior de pessoas normalmente se fixa à beira ou de rios, ou do mar – então também é natural que haja mais gente sujeita a inundações e furacões. O aquecimento global pode ter um peso nisso, mas por enquanto ninguém sabe ao certo se e quanto isso produz de influência.

O mais interessante de tudo, porém, não tem nada a ver com bobagens proféticas: apesar de a população mundial ser cada vez maior, o número de guerras não pára de cair. Apesar de haver um número maior de pessoas disputando o mesmo montante escasso de recursos, há cada vez menos guerras.

Segundo o estudo do Instituto Heidelberg para Pesquisas em Conflitos Internacionais (HIIK, na sigla em alemão), no ano de 2009 o mundo presenciou um total de 365 “conflitos políticos”, entre os quais sete guerras e 24 “crises graves”. O HIIK criou o “Conflict Barometer” (algo como “barômetro de conflitos”, ou “conflitômetro”). Veja a íntegra do estudo aqui: http://hiik.de/en/konfliktbarometer/index.html

Conforme se verifica, os conflitos de Estado contra Estado são cada vez mais raros desde o fim da Segunda Guerra Mundial, e o número decresceu ainda mais com o fim da União Soviética. Ainda pelos dados do HIIK, essa queda, no entanto, não foi contínua: entre 1980 a 1990 houve crescimento dos conflitos, com um ápice em 1992 (ano de 52 conflitos “altamente violentos”) – exatamente o período do colapso da URSS. As crises mais comuns, desde então, são conflitos internos travados entre grupos rivais de um mesmo país. Ainda que muitas vezes grupos rebeldes recebam auxílio de países estrangeiros, a natureza desse tipo de conflito é muito mais limitada do que as guerras totais entre Estados. O número de vítimas, naturalmente, também é muito menor.

O fenômeno é bastante complexo, mas a causa principal, certamente, é que é cada vez menor o número de ditaduras no mundo. Não é à toa que o fim do nazismo marcou o início dessa queda no número de guerras e que o fim da URSS tenha acentuado a diminuição: até hoje, em toda a história da humanidade, não houve nem um único caso de duas democracias que tenham entrado em guerra. Guerra é coisa de ditaduras. Há, claro, o recente, estúpido e vergonhoso caso de uma democracia que atacou uma ditadura sem ter sido atacada antes (a invasão do Iraque pelos EUA), mas isso é outra história.

Não sei se o mundo vai acabar em 2012, mas há bons motivos para acreditar que, se ainda estivermos por aqui, vamos habitar um planeta um cada vez mais pacífico. É algo pelo qual vale a pena trabalhar.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Culto a um Assassino

"O ódio como elemento da luta; ódio inabalável pelo inimigo, que impele o ser humano para além de suas limitações naturais, transformando-o numa máquina de matar, eficaz, violenta, seletiva e a sangue frio. É isso o que nossos soldados precisam se tornar..."

Sabe de quem é essa frase? Ela pode não ser muito conhecida, mas seu autor é. Parece coisa de Adolf Hitler, não? Ou de alguém muito parecido com ele, quem sabe. O texto que a contém foi escrito com todo cuidado (nada de “foi um momento de raiva...”), o autor era inteligente e ela não está “fora de contexto” – pelo contrário, o texto todo segue exatamente essa linha. Ela expressa o que ele de fato pensa e o que efetivamente demonstrou por seus atos durante toda sua vida. Ainda está difícil? Vou dar mais algumas pistas. Ao fim delas, você vai achar que o conteúdo da frase é pouco se comparado ao caráter de quem a escreveu...

Seu autor veio de classe média-alta e teve ótima educação. Bem cedo se uniu a movimentos radicais que buscavam o poder no estrangeiro e, com a desculpa de “impor a verdade” (da qual ele, claro, era o legítimo e iluminado portador), passou a usar a luta armada para atingir seus objetivos. Afeganistão? Bin Laden? Não; nem tão longe, nem tão recente.

Aproveitando-se de um movimento popular que queria, apenas, depor um governo corrupto, ele e seus partidários chegam ao poder e rapidamente impõem suas concepções radicais. Na luta interna de poder que se segue, nosso personagem acaba ficando com um papel “subalterno”: assassinar os dissidentes. Quem não concorda com o poder total dos novos donos do trono merece a morte – e é o autor da frase o encarregado de matar centenas de inocentes desarmados. Stalin? Lênin? Mao? Saddam Hussein? Não, nada tão óbvio.

Insatisfeito em ser apenas o mandante dos homicídios, ele determina pessoalmente os fuzilamentos – e, em boa parte dos casos, faz questão de estar presente e assistir às mortes. Há milhares de testemunhas relatando sua satisfação em presidir as execuções, algumas vezes sorrindo. Como médico de formação, tem um prazer sombrio e pervertido em assistir como os corpos dos inocentes reagem às intermináveis sessões de tortura que ocorrem nas prisões sob seu comando.

Sim, ele era médico. Joseph Mengele, então? Hum, ainda não, mas está esquentando.
Ainda não satisfeito, ele tem a “honra” de ser o criador dos campos de trabalho forçado no país que, agora, se tornou uma ditadura totalitária, sem limite algum. O país inteiro se transforma numa enorme senzala, o povo é reduzido à miséria absoluta e à condição de “máquinas de trabalhar” de propriedade do governo – cujo resultado mais explícito são, justamente, os campos de trabalho forçado, para orgulho de seu envaidecido criador.

Ainda está difícil?

A luta interna pelo poder (que agora é poder absoluto) se acirra, e nosso assassino/escravocrata sai derrotado. Em função disso, ele resolve tentar conseguir o poder em outro país estrangeiro – e dessa vez, escolhe um ainda mais pobre do que o anterior, certo de que isso tornará mais fácil manobrar as massas para que aceitem a luta armada.

Seu plano, dessa vez, é um fracasso total. Num um único habitante do seu “novo alvo” aceita ser bucha de canhão de seus sonhos totalitários. Capturado, demonstra uma enorme covardia; ele, sempre tão tranqüilo em mandar milhares de jovens para a morte, se borra de medo perante seus captores e implora por sua vida – mais uma grande semelhança com seu colega Hitler, que, diante do fim iminente, preferiu o caminho covarde de um suicídio indolor a ter de responder por seus atos.

Ah, agora ficou fácil, não é mesmo? Sim, esse assassino covarde, que dedicou sua vida a criar um regime de escravidão total é Ernesto Guevara de La Serna, mais conhecido como Che Guevara. A forma como ele, Fidel Castro e seus comparsas transformaram uma revolução que originalmente era democrática num experimento socialista e totalitário é algo apavorante. Encastelado no poder com o cargo de procurador-geral, ele foi o responsável direto por centenas de fuzilamentos em múltiplas prisões (inclusive a primeira a promovê-los, a Fortaleza de São Carlos de La Cabaña).

Escravocrata convicto, ele foi o criador dos horrendos “campos de trabalho coletivo” (campos de concentração com trabalho forçado, sendo os primeiros na península de Guanaha. Até hoje, esses campos são um dos piores pesadelos do povo cubano). A frase que inicia este texto é parte da Mensaje a los Pueblos Del Mundo, seu famoso manifesto em que pede “dois, três, cem Vietnams”.

Tendo perdido a disputa de poder para Fidel Castro, foi tentar ser dono de sua própria ditadura na Bolívia, onde – como dito – nem um único boliviano seguiu seus sonhos de tirania. Capturado, o assassino frio demonstra um enorme medo da morte – por se tratar da sua própria, claro, e implora pela vida com a frase famosa: “por favor, não me matem... Eu sou Che Guevara, tenho mais valor vivo do que morto...” Além de covarde, egocêntrico!...

Como um monstro desses pode ter sido eleito à categoria de ídolo da juventude? Como alguém que criou um regime que exigia obediência absoluta vira sinônimo de “rebeldia”? Como um tirano escravocrata se torna “herói libertário” no imaginário das pessoas?

Eu não sei a resposta.

Muita propaganda, claro; muita doutrinação socialista, claro também, desde sempre; muita falta de informação por parte de quem veste a famosa camiseta, é óbvio; mas isso só não explica. Há algo de mais profundo na transformação do assassino em mito que precisa se estudado em profundidade. Claro que Hitler e Stalin até hoje também têm seus seguidores, mas nada que se compare à escala de “mito moderno” a que chega o Comandante Assassino (como se referem os sobreviventes e familiares das vítimas).

O mais próximo que eu já consegui de uma resposta, que foi obtida de seus próprios seguidores, é que “Che foi um idealista, que morreu por seus ideais”. Ora, se é esse o motivo, então eles deveriam prestar culto também a Hitler, outro socialista que também morreu “por seus ideais” (insisto, ambos demonstrando idêntica covardia na hora de “morrer pelos ideais” e ambos partilhando “ideais” coletivistas bastante semelhantes).

Alguém tem alguma teoria? Eu não tenho. Eu só fico horrorizado de ver esse sujeito ser alçado à condição de “herói”, mas não consigo explicar tal coisa.

Alguém consegue?

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Melhor que ser do contra é ser chato

- Você vai gostar! É pop, mas você vai gostar. Tente não ser do contra uma única vez, tá bem? Você vai gostar!
- Se você diz...
Nunca entendi exatamente o que é música “pop”. Rock e erudito, que são os estilos de que gosto, são razoavelmente fáceis de definir. De música eletrônica gosto de alguma coisa, mas nunca consigo explicar qual das “vertentes” me agrada; a última vez que tentei, com um sujeito que entendia muito do assunto, fiquei sabendo que o que eu gostava era “house”. Aceitei a definição, até por não ter embasamento para contrariar, mesmo sem entender até hoje o que ela significa. Mas e pop?
- É uma verdadeira revolução no pop! É uma mudança de paradigmas, diferente de tudo que já foi feito... Não seja chato e tente escutar de mente aberta...
- Chato, eu? – Ironizei. – Vamos lá, quero ouvir sua revolução... Agora fiquei curioso...
E então ela toca Poker Face, de Lady Gaga.
- Plágio! – grito eu, logo nos primeiros acordes. – Plágio! Sua “revolução do pop” é simples plágio, e ainda por cima de uma música bem velha... Grande novidade essa!
- Plágio?! Não é possível – responde ela. – Plágio de qual “música velha”?
- Hãn... Não sei.
- Como, “não sabe”?
- Não sei, mas tenho certeza de que essa música é pura cópia de outra bem velha, que já ouvi faz tempo... Até esse “ma-ma-ma” do refrão é copiado...
- Duvido!!!...
Fiquei bastante tempo com isso na cabeça. Minha memória, que não costuma ser “lá essas coisas”, com música dificilmente falha.
E, depois de muito, muito tempo:
- Achei o vídeo, a música, a banda, a letra, tudo.
- Do quê?
- Do plágio descarado que a sua Lady não-sei-quê fez.
- Nossa, você ainda lembra disso? Porque não admite que a música é legal? Só porque é pop? E o nome é Lady Gaga...
- A música É legal. Só que é plágio. Confere aqui...
- Ora, só porque... Ah, não!?... Não acredito!!... Até o “ma-ma-ma” é igual... Que droga, é plágio mesmo...
Ficou curioso? Então assista ao vídeo de Ma Baker, do grupo Boney M, direto do longínquo ano de 1977 (a música foi composta um ano antes), e tire suas conclusões...

http://www.youtube.com/watch?v=NhiCAUoMgXw&feature=related

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Dinheiro Compra Felicidade?


Uma ex-aluna, por e-mail, me pede que comente um tema antigo: afinal, dinheiro compra felicidade ou não?

Em primeiro lugar, acho que é preciso esclarecer que o grande problema da pergunta é que ela relaciona coisas que, a rigor, não têm relação. Como dizia um sábio professor de matemática que tive, “é como comparar melancia com parafuso”. Ainda assim, penso que algumas considerações são possíveis.

Não vou discutir a natureza do dinheiro, nem as regras do sistema econômico que balizam sua obtenção; vou, ao invés, tentar tratar do aspecto psicológico relacionado a ele – é disso, parece, que trata essa pergunta ancestral. Por sua vez, o próprio conceito de felicidade já é, por si só, tão complexo que fica difícil relacioná-lo ao que quer que seja. Então, vamos começar pelos extremos, porque é neles que as características de qualquer coisa são sempre mais visíveis.
Comecei dizendo que conta bancária e felicidade eram duas coisas que não tinham relação; ao mesmo tempo, pensando em extremos, também acho fácil de constatar que ninguém consegue ser “feliz” (seja isso o que for) se estiver passando fome. O extremo oposto também é elucidativo: se um dos filhos de Bill Gates morrer, a dor e a tristeza dele serão exatamente iguais a de qualquer pai – talvez, apenas, com o acréscimo desencantado de pensar que todo dinheiro foi inútil para evitar o ocorrido.

Lembro também da história antiga do milionário que dizia a um pescador o quanto ele poderia aumentar sua produção se trocasse seu barco por outro maior, a motor, se ampliasse suas instalações, se usasse redes maiores, com gruas etc. Ao que o pescador, sorrindo, responde “sim, aí eu poderia ficar rico o suficiente para morar numa praia maravilhosa, ter uma vida muito saudável e feliz, e passar o dia inteiro pescando, sem me preocupar com nada... Ou seja, exatamente a vida que eu já tenho!”...

Outra história de que gosto muito, que ajuda a ilustrar um pouco a questão de “qual o valor das coisas”: um milionário visita um leprosário na Índia (não sei se a história é verdadeira; me contaram como sendo). Ao ver uma freira cuidando de um doente terminal, com pústulas terríveis, ele lhe diz “nossa, Irmã, eu não faria isso por dinheiro nenhum do mundo”; ao que ela responde, sorrindo, “nem eu, meu filho, nem eu!”

Mas o quê, afinal, é preciso para ser feliz? E qual a relação disso com dinheiro? Um campo bom de pesquisa são os ganhadores de loterias, pela situação muito peculiar de passarem de repente da situação “muito pobre” para “muito rico”, sem escalas. Existem vários estudos de psicologia sobre esse grupo tão específico de pessoas – e a maioria mostra que a alegria geralmente dura pouco. Há um prazer muito intenso mas também muito fugaz com a compra de bens anteriormente tão desejados – a pessoa rapidamente “se acostuma” com o carro ou a casa caríssimos, e o que tinha sido fonte de tanta alegria se torna apenas parte da rotina, parte da “paisagem” diária.

Curiosa, também, é a constatação de que só uma pequena parcela desses ganhadores de prêmios mantêm a fortuna; a maioria, em pouco tempo, torra-o de tal forma que rapidamente volta à exata situação financeira que tinha antes do sorteio.
Há, claro, o “peso da sobrevivência” a ser considerado; a batalha diária para obtenção dos recursos básicos para continuar vivo que é anterior a qualquer anseio de “felicidade”. Ainda que muito facilitada pela vida moderna nas sociedades atuais, esse peso continua existindo e, se não é fator de infelicidade, pelo menos é de preocupação constante. Pergunte a qualquer pessoa rica que começou a vida na pobreza sobre o melhor aspecto de ser rico e ele certamente responderá: a grande vantagem de se ter bastante dinheiro é justamente não precisar se preocupar com dinheiro. É ficar fora da roda viva de “como vou pagar as contas”; ou, na expressão brilhante da música do Capital Inicial, “vocês se perdem no medo de não conseguir dinheiro pra comprar sem se vender”.

Parece, então, que existe uma certa hierarquia de valores, e essa complexa condição chamada “felicidade” depende não apenas de quais desses valores conseguimos obter, mas de quais os valores que elegemos como importantes. Um exemplo fácil? É comum se dizer que a única pessoa mais infeliz do que a que só pensa em conseguir vingança é a que realizou sua vingança...

Falar da relação felicidade / hierarquia de valores é falar de Maslow e sua famosa pirâmide. Abraham Maslow propôs, na primeira metade do século passado, a teoria de que a felicidade humana dependeria de satisfazerem-se determinados anseios, dos mais básicos a, progressivamente, os mais elevados, nesta ordem: fisiologia (respirar, comer, dormir), segurança (física, de abrigo, de saúde, de recursos), amor e relacionamento (amizade, família, sexo), estima (confiança e respeito) e, finalmente, realização pessoal (moralidade, estética, criatividade, realização profissional). É essa pirâmide, com texto em português, que você vê no começo do texto. Esse sem dúvida foi um grande avança sobre as teorias anteriores, mas é bastante criticado tanto pela impossibilidade de se universalizar os anseios humanos (essencialmente pessoais e próprios), quanto pela variedade de reações que um mesmo valor pode ter para pessoas diferentes (há desde os felizes com muito pouco até os que não se satisfazem com nada) quanto, finalmente, da dificuldade de se obterem provas de qualquer hierarquia que seja.

Se você lê em inglês, há uma crítica interessante à teoria de Maslow aqui: http://www.rare-leadership.org/Maslow_on_transpersonal_psychology.html.

Pra encerrar: o texto definitivo sobre dinheiro, na minha humilde opinião, é o discurso de singelas quatro páginas do personagem Francisco d’Anconia, no monumental Quem É John Galt?, de Ayn Rand. Esse é, apenas, o melhor livro que já li na vida – o mesmo em que, aliás, Rand defende que “o que move o ser humano é seu código de valores”.

Acho que é por aí ;-)

domingo, 17 de janeiro de 2010

Suspiro Diet


Suspiro é delicioso, ninguém questiona; o problema é que é quase só açúcar... Uma amiga achou esta receita de suspiro diet e me pediu para experimentá-la. Sempre tive minhas dúvidas com esse tipo de receita, mas... O resultado ficou muito bom! É um pouco diferente do suspiro normal, especilamente na textura (não “derrete” tanto, nem tão rápido), mas ainda assim delicioso. E bem nutritivo, já que a base é clara de ovo (quase albumina pura, uma das melhores proteinas que existe).

Como adoçante, usei sucralose, que é natural e com gosto bem próximo do açúcar. Não sabe onde achar “amido de milho”? Sabe sim; o nome comercial de amido da marca mais conhecida é “Maizena” ;-). E como “essência de limão” só existe artificial pra vender, substituí pelas raspas da casca de um limão.

Se você gosta de suspiro, experimente este pra comer sem culpa:

Ingredientes:
3 unidade(s) de clara de ovo
3 1/2 colher(es) (sopa) de adoçante
3 colher(es) (sopa) de amido de milho
4 gotas de essência de limão

Preparação:
Bata tudo junto na velocidade máxima da batedeira por 15 a 20 minutos (até ficar branco). Use o bico pitanga, monte a assadeira forrada com papel manteiga untado com margarina. Asse em forno brando (90ºC).